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“Apicultura profissional Moderna/Vanguardista”

Temos trabalhado e estudado muito de forma a que a exploração apícola que estamos a construir fique alicerçada numa apicultura moderna e até mesmo vanguardista.
 
Foram muitas as visitas e contactos que já fizemos com alguns apicultores nacionais e estrangeiros, sejam eles de pequena ou grande dimensão, onde, além de tentarmos aprender algo de novo, tentamos também verificar a que nível se encontra a apicultura em Portugal, se comparada com países mais avançados.

– Califórnia, USA 2015 –
 
Esta vaga de novos apicultores e interessados nesta atividade que vão surgindo em Portugal, leva a que muitos procurem “referências”, ou seja, apicultores que possam “copiar” o seu modelo de trabalho, ou adaptar à sua vida e condições de trabalho.
 
Este “passo” é algo que surge naturalmente, em todos os sectores.
 
Em Portugal, apesar de haver apicultores aos quais devemos respeito e admiração pelo seu trabalho, temos de começar a olhar um pouco mais “acima” no horizonte e fazer o que estes apicultores fizeram na sua altura… nada mais do que implementar novas técnicas e formas de trabalhar, otimizando ao máximo a exploração.
 
Com isto não quero dizer que a forma com que se trabalha convencionalmente é má, apenas que pode e deve ser melhorada, alimentando e promovendo a competitividade deste sector.
 
Quando falamos em apicultura profissional, a transumância surge sempre associada, pois é uma forma de aumentar o rendimento/colmeia. Custa-me ver apicultores profissionais que ainda carregam colmeias à mão… e vão continuar a carregar… Custa-me ver apicultores profissionais que até têm grua, mas carregam as colmeias à mão… Custa-me, acima de tudo ver apicultores profissionais que não fazem transumância.

– Transumância –
 
Um passo vanguardista, que felizmente está na moda em Portugal, é a criação artificial de abelhas rainhas. Qualquer apicultor profissional deveria criar as suas próprias abelhas rainhas, ou na impossibilidade das criar, começar a comprá-las a criadores. Custa-me visitar apicultores com mais de 2000 colmeias, que continuam a fazer desdobramentos às cegas… multiplicando colónias que geneticamente é um “crime” multiplicar.

– Raínhas Fecundadas –
 
Da mesma maneira que desdobrar colmeias “às cegas”, foi um passo vanguardista antigamente, criar as suas próprias rainhas selecionadas, ou comprá-las a criadores, deve ser encarado da mesma forma, na definição de explorações com uma apicultura profissional moderna.
 
Trabalhar com abelhas rainhas selecionadas, trás mais benefícios do que aqueles que surgem na diversa literatura que existe sobre esta temática.
 
Fazer desdobramentos às cegas, além de desdobrarmos colmeias com má genética, sabemos que existe uma percentagem de insucesso nas fecundações das rainhas (por acaso em 2015 as fecundações têm sido excelentes). Sabemos também que existe uma altura em que estes desdobramentos ficam sob “stress”, pois, o periodo que demoram a fazer raínha, que esta nasça, se fecunde, comece a pôr ovos, e mais importante de tudo, que comecem a nascer abelhas filhas desta nova raínha, já só possuem abelhas velhas, demorando as novas ainda a nascer e começar a produzir.

Até que comecem a nascer abelhas filhas das próprias raínhas, já passaram no mínimo, dos mínimos, 45 dias, contudo a média é bem superior, chegando este periodo a atingir ou superar os 60 dias até nasça a primeira abelha “filha”. Em colónias minimamente povoadas, este “stress” não será tão acentuado, contudo em desdobramentos que ficam sempre mais enfraquecidos, esta técnica é bastante agressiva e contraproducente.

Prova disso são os desdobratamentos, que entretanto ficam zanganeiros, e a rainha virgem continua por lá a passear sem se fecundar… e… para nossa surpresa, alguns enxames que já tinhamos dado como zanganeiros e “possivelmente perdidos”, começa entretanto uma bela raínha a pôr ovos.

 
Outra situação que acontece geralmente nos desdobramentos “às cegas” é o oportunismo de alguns vírus e doenças durante a faze débil e de stress que os enxames passam quando são feitos desta maneira. Existem desdobramentos que podem aparecer com “Loque americana” ou com ascosferiose (contudo, as colmeias de origem estavam sãs), desdobramentos que apesar de parecer que está tudo bem, nunca chegam a desenvolver e atingir a dimensão de “colmeia”, acabando por morrer nesse mesmo ano ou ano seguinte, desdobramentos que de um momento para o outro perdem a raínha e ficam zanganeiros, desdobramentos que no ano seguinte, a taxa de substituição de raínhas é elevada, etc, etc, etc.

Tudo isto leva-nos a ser bastante criticos quanto a esta técnica, pois é uma técnica que deve pertencer ao “passado”, e ser usada apenas em condições especificas. Nós próprios usamos esta técnica durante vários anos, pois é uma técnica barata e simples, contudo, após começarmos a usar rainhas fecundadas compradas ou criadas por nós, tudo mudou e só quem nunca usou rainhas fecundadas, não sabe a diferença de “vigor”, “produtividade/rentabilidade” e “sanidade” dos enxames produzidos a partir desta via.

Após começarmos a criar raínhas e fazer lotes de desdobramentos, que constituem novos apiários com raínhas da mesma idade, e na maioria com raínhas irmãs, filhas das nossas melhores colmeias, foi uma surpresa para nós verificar a homogeneidade verificada entre as colmeias de cada apiário.

A substituição de rainhas velhas ou “inválidas”, é também uma das vantagens no uso de rainhas fecundadas. Sempre que verificamos que existem colónias que se vão abaixo e começam a enfraquecer ou colónias que ficam zanganeiras, o uso de uma raínha fecundada para substituir a rainha fraca ou mesmo recuperar uma colmeia zanganeira (esta ultima, com técnicas especificas), permite que mantenhamos os mesmos efetivos em cada apiário e não fiquemos com os típicos buracos que vão surgindo ao longo do ano e nos obrigam a ser preenchidos com colónias de outros apiários… pois no nosso caso, como trabalhamos com apiários de 60 (limite máx. do reboque para transumância), fazemos por manter sempre as 60 colónias, pois poupamos tempo e recursos antes de dar inicio à transumância, uma vez que não nos podemos dar ao luxo de perder algumas noites para movimentar colónias a fim de preencher buracos.

 
– Raínha Velha –
Outra das vantagens da criação artificial de abelhas raínhas é o facto de podermos reproduzir filhas das nossas melhores colmeias. Resumindo, a importante seleção genética que tanto a nossa abelha ibérica precisa. A apicultura portuguesa, em particular, a raça de abelha com que trabalhamos (Apis melífera iberiensis), precisa e merece isso. Que melhorem a sua genética.
 
São vários os pontos que nos devemos focar para atingir uma apicultura profissional moderna:
 
– Estar preparado para transumar rapidamente e em grande escala; Usar a movimentação de colmeias com recurso a gruas.
– Transumar no momento certo; É algo que se atinge com a experiência, contudo devemos tomar notas e evitar confiar na memória. Por vezes transumamos cedo demais, provocando stress nas colmeias e um retrocesso na força e estímulo das colónias.
– Trabalhar com abelhas rainhas selecionadas (criadas por nós ou compradas);
– Focar-mo-nos na seleção genética;

– Uma colónia selecionada –

– Adotar formas simples e rápidas de realizar diversos trabalhos apícolas:

   – Limpar os quadros de forma rápida, por exemplo com recurso à soda cáustica.
   – Carregar caixas e organizar material com recurso a porta paletes e empilhadores.
   – Alimentar colmeias de forma rápida e barata;
   – Saber conservar as caixas por muitos anos, por exemplo com recurso à parafina;
   – Etc, Etc.
– Adotar métodos de trabalhos práticos e rápidos, quando trabalhamos no campo; por exemplo, se estamos num apiário e temos de mexer em todas as colmeias, podemos retirar primeiro os telhados a todas as colmeias, e preparar tudo para realizarmos as diversas tarefas em “série”, rentabilizando o tempo.
– Criar uma checklist de algum material que precisamos para diversos fins, que é verificada antes de sairmos para o campo, evitando situações desagradáveis, ao não possuirmos material essencial;
– Criar os nossos próprios métodos de seguimento das colmeias dos apiários; No nosso caso usamos as canetas de marcar rainhas para escrever nos telhados das colmeias alguma informação importante sobre essa colónia. Ao usarmos a cor oficial da marcação das rainhas para esse ano, evitamos confusões de informação.

– Estabelecer um bom plano de controlo de varrôa ao longo do ano, sendo seguido “à risca”; Este é um dos pontos mais importantes, pois o que faz de nós apicultores profissionais é a dependência económica desta actividade. Ao perdermos ou enfraquecermos colónias, única e exclusivamente por irresponsabilidade no controlo da varrôa, resulta em prejuízos que por vezes são bastante avultados.
– Fazer núcleos de 5 quadros todos os anos, para consumo da exploração, para repor efetivos perdidos ou recuperar rapidamente colónias enfraquecidas; Em algumas situações, melhor que uma raínha fecundada, é sem dúvida um núcleo com raínha nova em postura. Por exemplo uma colmeia zanganeira em estado terminal, pois permite aproveitar os quadros em bom estado e manter o efetivo do apiário. O novo enxame ao possuir quadros de cera puxada, rapidamente preenche o ninho e fica pronto a produzir.

– Enxames novos –

– Possuir um plano de alimentação, seja de manutenção ou estimulação; Nos dias de hoje, são diversos os problemas existentes com as abelhas, sejam eles a varrôa, a Nosema, Loques, vírus, alterações climáticas, pesticidas, etc, etc. Tudo isto é mais que justificativo para tentarmos manter as nossas colónias bem nutridas, com o seu sistema imunológico em “alta”. Preparar um plano de alimentação, seja energética e principalmente proteica/suplementar é importantíssimo.

– Alimentação estimulante e proteica –

Achamos que os pontos principais estão focados, contudo muitos outros aqui poderiam ser acrescentados, pois depende muito do tipo e objetivos da nossa exploração.

 

O importante a sabermos traçar um bom “rumo” à nossa exploração. Um “rumo” alicerçado em boas técnicas e práticas apícolas, com base na nossa experiência e referências nacionais e estrangeiras.

Cumprimentos,

João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…

  • Unknown
    Unknown
    21.08.2015

    Gostei do que li
    Muito bom para quem está a iniciar se
    Obrigado

  • gustavo
    gustavo
    21.08.2015

    A soda cáustica é para limpeza sanitária ou para limpeza da cera velha dos quadros?

  • Anónimo
    Anónimo
    29.08.2015

    Muito bom, visão geral magnifica, uma publicação que aborda todos os pontos fundamentais em apicultura. Sérgio Costa

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