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Limpeza de quadros com soda cáustica

A limpeza de quadros é talvez a operação mais desagradável da atividade apícola, pois consome muito tempo, tempo que por norma não existe.

Figura 1 – Forno a lenha para aquecer a água

Longe vai o tempo que os quadros se raspavam e passavam a fogo, pois uma coisa é ter 100 quadros para limpar, outra é ter 1000, ou mesmo 5000, como tivemos em 2017, fruto do acumular, ano após ano.

A melhor técnica para limpar quadros de forma rápida e eficaz é fervendo os quadros em água e soda caustica, onde após ferver 5 min os quadros são lavados com água à pressão.

Figura 2 – Quadros a ferver na água e soda caustica

Figura 3 – Lavagem dos quadros com água à pressão

No nosso caso usamos bidons de mel velhos, com cerca de 150 litros de água e 1,5kg de soda caustica. Durante a tarde voltamos a reforçar com mais 1 kg de soda caustica.

Figura 4 – Quadros depois de limpos

Figura 5 – Quadros como novos após lavagem

Esta operação deve ser feita com extrema cautela, evitando que a água e soda caustica entre em contacto com a pele e olhos, usando também máscara com filtro para gases.

NÃO VÁ EM MODAS, FAÇA VOCÊ MESMO O ALIMENTO DAS SUAS ABELHAS!

A alimentação artificial das abelhas requer o conhecimento da dinâmica das florações em redor dos seus apiários, com uma identificação exata das épocas de carência nutricional, que podem variar de ano para ano.

Tal como aconteceu noutros países, a moda da alimentação chegou ao nosso país, nunca tendo havido uma gama tão diversa de produtos para alimentar as abelhas.

Apesar muito positivo este avanço, leva a que muitas empresas vejam uma oportunidade de vender, colocando à disposição produtos que apesar de aptos para alimentação animal, não são indicados para as abelhas, e além disso criando a ilusão de necessidade constantes em nutrir as nossas abelhas.

Vender a todo o custo sem saber dar apoio ao apicultor levou e está a levar a que sejam muito comuns os casos de maus resultados, muitos em particular por pela má qualidade dos produtos e má administração das pastas, em períodos não adequados (ex: ausência de criação aberta, níveis altos de varroa e nosema, etc.);

É verdade que as épocas de carência nutricional são uma realidade, contudo, compete ao próprio apicultor saber identifica-las, evitando gastar dinheiro em vão.
Monitorizar colmeias é ver profundamente o que está a acontecer dentro da colmeia, como por exemplo analisar a geleia real que banha a criação aberta. As larvas estão secas e desidratadas? Estão brilhantes e a flutuar num oceano de geleia real?
Como monitorizar:

1. Verifique na entrada das colmeias se existe entrada de abelhas com pólen. Ausência de movimento de abelhas com pólen é indicativo de falta de florações fornecedoras de proteína;
2. Verifique se existem reservas de mel e pólen nos quadros laterais da colmeia e no bordo superior da criação;
Figura 1 – Quadro com boas reservas

3. Olhe com atenção para as larvas e verifique se estas estão a flutuar em geleia real ou estão secas ou com pouca geleia real;

Figura 2 – Larvas bem alimentadas

4. Pegue num quadro com abelhas e verifique se existem abelhas mais pequenas que outras. Abelhas anãs acabadas de nascer são um sinal de deficiências nutricionais;
5. Tenha atenção às condições meteorológicas semanais, de forma a identificar os períodos de tempo desfavorável que possam comprometer as reservas de alimento das suas colmeias;
Quando devemos alimentar as colmeias:

– Sempre que não haja reservas de mel e pólen;
– Sempre que verifique que as larvas estão secas ou com pouca geleia real;
– No final de inverno/início da primavera, no período de expansão das colónias, sendo este o período de maior mortalidade de colmeias por fome, pois têm muita criação e pouco alimento. Esta alimentação permite estimular as colónias, preparando-as melhor para a época de produção;
– No final do verão, logo após começarmos a verificar que a primeira floração de outono começa a surgir. Esta alimentação permite estimular as colónias, preparando-as melhor para o inverno;
– Sempre que verifiquemos a chegada de períodos de mau tempo (chuva e frio) numa época de expansão das colónias, havendo poucas reservas;
– Sempre que se introduzam rainhas, aumentando na taxa de aceitação e fecundação;
– Em desdobramentos ou enxames novos que precisem de ser ajudados a desenvolver. Não espere que seja a floração a ajudar na expansão dos novos enxames, basta o ano vir mau e já não enchem o ninho;

Quando não devemos alimentar as colmeias:

– Sempre que verifiquemos a entrada de néctar e pólen, havendo boas reservas, continuação de bom tempo e boas florações;
– Sempre que verifiquemos que as larvas estão bem alimentadas com geleia real (flutuam em geleia real);
– Nas épocas de repouso natural das colónias, que são normalmente acompanhadas de quebra de postura pela rainha (verão ou inverno);
Uma boa monitorização das suas colmeias é o seu melhor seguro, alimentando apenas quando é necessário.

A abelha ibérica, a abelha autóctone do nosso país é uma abelha que respeita os ciclos das florações havendo períodos que quebra a postura, deixando de haver criação. Normalmente estes períodos verificam-se de inverno, verão ou em ambas as alturas, dependendo da região do país. A ausência de criação não é um motivo para alimentar, é algo que é natural e devemos respeitar, isto caso as reservas das colmeias estejam boas.

Monitorize! Vai poupar dinheiro e aumentar o rendimento da sua exploração!

Porquê fazer o seu próprio alimento proteico:

– Mais económico, chegando a ser 500% mais barato;
– Maior qualidade e conhecimento das matérias-primas usadas;
– Formulação com base nas reais necessidades das suas colmeias;
– Possibilidade de adicionar produtos especiais (ex. prevenção da nosemose);

Alimentação de arranque:

A alimentação de arranque é uma alimentação que é usada após um período de repouso das colónias (verão ou inverno), “acordando” mais cedo a rainha, estimulando a mesma a pôr ovos e gerar criação.

RECEITA:
– Açúcar em pó;
– Xarope de Glucose e Frutose (Meliose 392176 ou Frutomix79);
– 10 ml de Promotor L por cada kg de pasta;
– 10 ml de Nozevit Plus por cada kg de pasta (prevenção ou tratamento de nosema ceranae)

Alimentação proteica (23% de proteína final):

Esta alimentação é usada apenas quando já existe criação aberta, seja de forma natural ou por estímulo da alimentação de arranque.
RECEITA:
– 7,5 kg de Farinha de Soja (Microsoja200);
– 2,5 Kg de levedura de cerveja (ApiDry);
– 8 Kg de Açucar em pó;
– 500 ml de água;
– 50 ml de óleo vegetal de milho por kg de pasta
Amassar com xarope de glucose e frutose (Meliose 392176 ou Frutomix79) até obter a textura pretendida (nem muito dura nem muito mole);
 Apenas 1,45 euros o Kg de Pasta!!!
Adição De vitaminas e suplementos (Opcional):
5 ml de Nozevit por Kg de pasta
10 ml de Apifit por Kg de pasta
Modo de Aplicação

Dependendo do estado da força colónia, em especial o número de quadros de criação aberta, assim deverá ser estabelecida a quantidade.
Coloque entre 100 gramas (colónias mais fracas) a 300 gramas (colónias mais fortes), de 8 em 8 dias, até iniciar a floração principal (Final de Inverno) ou até iniciar o Inverno ou floração que não justifique a alimentação (Outono).
Acompanhe a alimentação proteica com xarope de glucose e frutose (Meliose 392176 ou Frutomix79.

Mais informações em:
EMAIL: info@valedorosmaninho.com
TELEFONE: 961 655 294
www.valedorosmaninho.com

João Tomé
…um apicultor, pela apiculura…

“RASPAGEM DA CRIAÇÃO” um novo método de controlo da varroa!

No final de Fevereiro deste ano estive presente numas Jornadas Apícolas em Oviedo nas Astúrias espanholas, organizadas pela União de Uniões em conjunto com a PROMIEL – Associação de Apicultores Profissionais das Astúrias, onde, aproveito para felicitar a organização, pois foram umas verdadeiras jornadas apícolas, de apicultores para apicultores, digamos que um exemplo a seguir, pois o palco foi unicamente dos apicultores, não havendo nada para vender, apenas sim, conhecimento de causa para partilhar…
Durante estas jornadas, de todos os temas (todos de grande interesse), o que menos esperava, foi o que mais me surpreendeu, a “RASPAGEM DA CRIAÇÃO”, “RASCA LA CRIA” em Espanha.
Antes de continuar, quero referir que já tinha visto um video sobre esta técnica e não tinha dado qualquer importância e inclusive pensado “há com cada maluco”! Basicamente não me tinha apercebido do potencial e das especificidades desta técnica.
Resumindo um pouco esta técnica, a mesma foi iniciada por Randy Oliver em 2014 (http://scientificbeekeeping.com/messin-with-varroa-2014/), que fez umas experiências, contudo não passou apenas de experiências, aparentemente sem grande resultados, não tendo havido mais desenvolvimentos sobre este método.
Entretanto, no ano seguinte surgiu um grupo de apicultores espanhóis “RASCA LA CRIA” que iniciou este método, o desenvolveu, estudou e melhorou, tendo sido os resultados surpreendentes.
Tal como eles o disseram antes de iniciar a sua apresentação nestas jornadas, digo o mesmo, para alguns é necessário ir ao psicólogo antes de continuar a ler, pois a técnica pode chocar os mais sensíveis e românticos, tendo este grupo já sido acusado de serem assassinos de abelhas… algo que à primeira vista o pode parecer, contudo, trata-se de fazer exactamente o contrário, salvar abelhas a partir do sacrifício de criação que à partida já estavam condenada.
Este método trata-se nada mais nada menos que raspar toda a criação opérculada e em vias de opercular (larvas maiores que irão ser opérculadas nos dias seguintes), matando a mesma, de forma a expor toda a varroa  em estado forético, aumentando a taxa de sucesso dos tratamentos em praticamente 100%. 
Foto retirada de http://scientificbeekeeping.com
VER VIDEO:
Simplificando, trata-se de simular a ausência de criação, algo que pode ocorrer em algumas regiões do país em alguns períodos do ano.
Apesar de sabermos que esses períodos existem, como é o caso do inverno ou verão, dependendo das regiões de Norte a Sul, existem sempre colmeias que têm criação e os tratamentos nunca irão ser totalmente efetivos, vindo a ser estas mesmas colmeias focos de reinfestação nos nossos apiários, contudo, a má vizinhança acaba por levar com as culpas, quando a origem do problema está nos nossos próprios apiários. Colmeias que de forma isolada os tratamentos por algum motivo não funcionaram e nos vão causar problemas em todo o apiário nos meses seguintes aos tratamentos.
Ainda recentemente visitei um apicultor que ao fazer uma visita ao seu apiário a maioria das suas comeias estava com niveis baixos de varroa e encontramos uma das colmeias (a mais forte de todas), com 20% de infestação. Em 300 abelhas havia 60 varroas. Esta colmeia, juntamente com outras, vão ser autênticos viveiros de varroa neste apiário, numa altura critica em que os níveis deveriam estar baixos.
Outra das situações que ocorre quando nunca existe quebra de criação, é que nos momentos que esta se reduz, existem níveis elevados de varroa, pois os tratamentos nunca funcionam a 100%, estando as gerações seguintes de abelhas condenadas, pois nasceram na sua maioria com presença de varroa e apesar de no Outono, aparentemente estar tudo bem, quando chega o Inverno as colmeias começam a morrer, pois temos abelhas debilitadas e doentes.
Este método, ao ser feito na totalidade das colmeias, vamos equalizar as mesmas ao mesmo nível de infestação de varroa, e caso o mesmo seja feito de forma concertada por um grupo de apicultores na mesma região, os níveis de varroa baixam exponencialmente.
Não vou descrever este método, pois ainda não o experimentamos nas nossas colmeias para poder opinar ou falar de forma pormenorizada, contudo apenas dizer que o vamos experimentar no final de Agosto, inicio de Setembro, assim que retirarmos o mel de Castanheiro e melada de carvalho, pois nesta altura temos as colmeias reduzidas no máximo a dois pequenos quadros de criação, ou em alguns casos ausência total de criação, aproveitando a estimulação de Outono para recuperar as colmeias, com várias gerações de abelhas livres de varroa.
Vamos seleccionar um período de quebra de criação e inicio de estimulação pelas primeiras florações de final de verão e inicio de Outono, algo que é fundamental nesta técnica.
Para os mais sensíveis e cheios de ética, as abelhas que são raspadas e mortas neste período, já estavam condenadas, pois estão sob a presença de varroa. Durante este período de redução de criação nas colmeias, umas vez que tivemos uma fase produtiva há poucas semanas, os niveis de varroa estão altos, estando essa mesma criação na presença de varroa, sendo à partida abelhas já condenadas.
Tal como disse um dos elementos deste grupo “RASCA LA CRIA”, o veterinário apícola Carlos Marín Barcáiztegui, um veterinário não duvida em fazer abortar uma vaca para a salvar e neste caso trata-se de matar criação condenada para salvar a própria colónia de abelhas.
Ainda assim, ficam os ovos e larvas até 3 dias (apróx.), perdendo-se apenas 15 dias de criação. 
Após a raspagem da criação, nesse mesmo dia é aplicado um tratamento à base de amitraz (ex: APIVAR, APITRAZ), sendo o produto químico com efeito mais rápido e efetivo do mercado, de forma a matar todas as varroas presentes antes de haver nova operculação da criação seguinte, evitando que haja a possibilidade de algumas varroas sobreviverem e poderem entrar novamente nos alvéolos, reproduzir-se novamente e baixando o sucesso deste método.
Este grupo já estudou esta situação e só raspar a criação opérculada não é suficiente, pois vai haver sempre algumas varroas que conseguem escapar ao efeito do tratamento nos dias seguintes e voltar a entrar na próxima criação. É importantíssimo raspar também as larvas maiores, que se encontram em redor da criação operculada ou irão ser opérculadas nos dias seguintes.
É de todo importante evitar produtos com baixa eficiência ou produtos que demorem a actuar como é o caso de muitos produtos biológicos (ácido oxálico, timol, etc.).
Após a aplicação das tiras de tratamento é colocado um xarope de açucar (50/50) de 8 em 8 dias criando alguma estimulação e subsequente efeito higiénico nas colónias para limparem toda a criação morta e prepararem os alvéolos para a rainha fazer nova postura.
Foram apresentados alguns videos onde se seguiram algumas colmeias após raspagem, e os resultados são surpreendentes, muitas colónias passam de criação salteada para criação compacta e bastante bonita!
Um dos apicultores pioneiros desta técnica, “Ramón”, com uma exploração de 1600 colmeias, diz que consegue sentir as abelhas ao nível de quando não existia varroa, que as abelhas se comportam de maneira diferente. Diz que costumava ter percas anuais de 300 ou 400 colmeias e desde que começou a usar esta técnica baixou para 40 e poucas colmeias. Algo inacreditável!
Este apicultor, no próprio dia que retira o mel da produção de Verão, raspa a criação, aplica o tratamento e coloca uma bolsa de alimento estimulante, evitando desta maneira ter de regressar novamente aos apiários.
Os próprios sucos, fruto da raspagem da criação acabam também por ser uma nutrição para as abelhas da colónia, que respondem muito rapidamente ao estimulo de criar nova criação.
Esta raspagem deve ser forte e vigorosa (até salpicar) de forma a termos a certeza que toda a criação fica morta.
Os excelentes resultados que este grupo apresentou, começam já a correr o mundo, acreditando que pode ser uma boa solução em alguns países ou regiões onde nunca temos a ausência total de criação na totalidade das colmeias, sendo um problema controlar a varroa.
E esqueçam a técnica de enjaular a rainha para obter o mesmo efeito, como fazem por exemplo em Itália, pois essa técnica além de todos os problemas (morte da rainha enjaulada ou substituição após libertação), morosidade, etc, não funciona bem com a abelha ibérica.
Os que queiram criticar esta técnica, por questões éticas, morais, romantismo, etc, olhem para eles próprios e preocupem-se em dar o exemplo, em vez de criticar por criticar… e na pior das hipóteses marquem uma consulta no psicólogo.
Os que achem que pode ser uma boa técnica a usar nas suas colmeias, experimentem e melhorem a mesma.
Termino dizendo que se não tivesse ido a estas jornadas e ouvido o que ouvi pela boca dos pioneiros desta técnica, iria demorar um pouco a ver e aceitar o seu potencial! Partindo esta técnica de um grupo que não tem nada para vender… pensem sobre isso e experimentem antes de se colocarem a criticar e a criar suposições, pois tenho consciência do que matar criação representa para muitos apicultores… e… até mesmo para mim.

Mais alguma informação em:
 https://www.latiendadelapicultor.com/blog/rasca-la-cria-varroa/#ORIGEN_DEL_METODO

João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…

VETERINÁRIOS APÍCOLAS – ONDE ANDAM?

Como é sabido, a base e estabilidade produtiva de qualquer sector pecuário é o bom estado sanitário dos animais. Como tal e como em qualquer sector, existem pessoas formadas para exercer determinadas funções e neste caso, no sector pecuário temos os veterinários.
Não me querendo muito alongar sobre a formação base dos veterinários em Portugal, da mesma forma que existem veterinários que tratam e cuidam de porcos, vacas, ovelhas, cães, gatos, periquitos, etc, etc, seria de esperar que tivéssemos também veterinários apícolas, pois as abelhas também fazem parte do reino animal.
Julgo não estar errado, mas desconheço que exista um único veterinário apícola em Portugal, individuo que se especializou em sanidade apícola e exerça essa profissão.
Em vez disso, temos dezenas de Eng. Agrónomos, florestais, zootécnicos, etc, etc, que no fundo substituem aquela que a meu ver é uma função exclusiva de um Veterinário, pois até ao momento ainda não vi que seja aceite que um Eng. Florestal faça consultas, passe receitas de medicamentos, etc, nos outros sectores pecuários. Trata-se de uma exigência legal.
Sendo a minha base “Eng. Agro-Florestal”, tendo-me dedicado em exclusivo à apicultura, sinto-me à vontade para discutir esta situação, pois, na grande maioria já sei que tipo de comentários irão surgir, especialmente de quem representa as diversas associações de apicultores. “Que temos excelentes técnicos apícolas, excelentes profissionais, etc, etc.” … e que não é por ter formação base de veterinária que as coisas seriam diferentes…”
Tudo bem, é discutível, contudo, não é de todo aceitável ir ao médico e ser atendido por um Eng. Agrónomo, é para isso que existem cursos superiores nas diversas áreas.
E eu pergunto, já ouviram alguma vez na vossa vida um veterinário apícola falar sobre abelhas? Eu já, e fiquei completamente impressionado, pois está focado em sanidade, sanidade, sanidade. 
Mas quando falo veterinário apícola, falo de alguém com experiência diária de campo, que está ao lado dos apicultores, alguém que os acompanha e conhece como ninguém a realidade e os ajuda da melhor forma. Tive a oportunidade de ouvir durante uma palestra um veterinário espanhol, e garanto-vos que dificilmente um técnico de ciências agrárias consegue atingir esse nível.
Não quero com este artigo, passar nenhum atestado de inutilidade aos técnicos apícolas existentes no momento, quero sim fazer entender que seguimos erradamente um caminho, pois o facto de termos excluído veterinários do sector apícola, não sendo uma obrigação legal tal como acontece com os outros sectores  pecuários, provocamos uma desvalorização do animal que mantemos “a abelha” ao permitir que qualquer um esteja habilitado para exercer funções ao nível sanitário.
Considerando-me um técnico apícola com formação base nas ciências agrárias, por natureza temos vários focos, que desviam a atenção para factores produtivos, de maneio, flora apícola, etc, etc, onde junto com estes factores incluímos também a sanidade apícola. Somos pessoas polivalentes que somos obrigadas a saber de tudo um pouco e nunca conseguimos concentrar-nos num único tema, pois assim somos obrigados.
Ao contrário, um veterinário apícola, o seu foco principal são as questões sanitárias, havendo especializações a vários níveis.

Existe espaço para todos, especialmente zootécnicos a trabalhar junto com veterinários, mas no caso de sermos obrigados a optar por uma especialização, é de todo geral a opinião que a sanidade é prioritária.

Com a quantidade de informação existente ao nível produtivo, flora apícola, maneio, etc, etc, que existe nos dias de hoje, faz cada vez mais sentido, começarmos a trabalhar de forma a termos veterinários apícola especializados a sanidade apícola, pois como sabemos, com todos os problemas já existentes no maneio de abelhas, junto com as alterações climáticas, resta-nos trabalhar no sentido de ter um apoio sanitário ao mais alto nível, pois será a base primordial para continuar a manter abelhas vivas e em produção.

Este é um tema novo que irei promover até que surta resultados, pois faz todo o sentido trabalhar para entregar “o seu a seu dono“, e neste caso, a sanidade apícola a veterinários apícolas.

João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…

A APICULTURA E OS INCÊNDIOS FLORESTAIS

O ano de 2017 ficará marcado para sempre como o pior ano da história de Portugal ao nível do número de colmeias perdidas e pastagem para as abelhas que foi consumida pelo fogo, tendo havido inclusive a morte de apicultores a salvar colmeias.

Foto: António Gaspar
As alterações climáticas são reais e têm dado provas disso, sendo os apicultores os primeiros a senti-las, pois trabalham com insectos que reagem a factores ambientais que passam desapercebidos ao Homem, sendo cada vez mais difícil manter as abelhas vivas.

Os anos são cada vez mais instáveis ao nível meteorológico, afectando directamente as florações e estabilidade das colónias de abelhas, onde, ao contrário de antigamente, em vez de termos maus anos de produção pontualmente, começamos a ter maus anos regularmente.

Junto com todos os problemas directos e indirectos das alterações climáticas, temos o aumento do número de incêndios florestais de grande dimensão (acima de 100 hectares), incêndios que provocam a perca total de pastagem para as abelhas, reduzindo a diversidade floral se os mesmos tiverem uma elevada recorrência (período de tempo que voltará a mesma área a ser consumida pelo fogo).
Foto: Afonso Correia

Da mesma forma que a perca de pastagem sucessiva provocada pelos incêndios não é benéfica para as abelhas, o envelhecimento das áreas de pastagem também não é favorável à manutenção e equilíbrio das colónias.


Não sendo económica e ecologicamente possível manter as abelhas vivas com recurso a alimentação artificial, é tempo de nós apicultores passarmos a ter uma postura interventiva na gestão do território.
Não podemos continuar a ser meros utilizadores do território, passando desapercebidos a tudo e todos.

Além de um esforço em aprender a lidar com os incêndios, minimizando o risco das colmeias arderem, limpando uma faixa de pelo menos 10 a 20 metros em redor das colmeias (dependendo do tipo de vegetação, altura e carga combustível da mesma), havendo mesmo assim alguns casos mais extremos que temos mesmo de lavrar a terra em redor, temos também de nos expor e impor perante a sociedade.

Para isso, será importante no futuro, os apicultores fazerem parte dos grupos de trabalho com intervenção directa no território, apresentando propostas de gestão em complemento das que são apresentadas por outros sectores (ex. exploração florestal, conservação da natureza, etc.), favorecendo desta maneira o equilíbrio e manutenção das colónias de abelhas.

Foto: António Leitão

As associações de apicultores deveriam reunir-se com os associados e debater este problema, reunindo sugestões. Ao contrário de outros problemas no sector (doenças e pragas), que vamos conseguindo controlar individualmente nos nossos apiários, em relação à perca de colmeias e pastagem para as abelhas provocada pelos incêndios florestais, terá de ser uma acção conjunta, uma acção forte e sólida, pois sem abelhas e pastagem não há futuro para a apicultura.


Uma vez que a apicultura é o parente pobre da agricultura, não será uma tarefa fácil, contudo, se não formos nós próprios a lutar por isso, nunca será possível darmos o nosso contributo para que o sector apícola seja visto como um sector importante para a sociedade em geral.

João Tomé
…um apicultor pela apicultura…

ALUAN CAP – TRATAMENTO CONTRA A VARROA

Antes de avançar com esta apresentação quero deixar claro que me vou limitar a falar de uma experiência profissional no Chile, não havendo qualquer interesse em estimular o uso ilegal deste tratamento, até porque como sabem só podemos usar tratamentos homologados. 😊😈


Confesso que também fui contactado pela DGAV pela responsável nacional do PICOA, que poderia ter problemas por falar deste produto, uma vez que não está homologado em Portugal.
Para nos protegermos além de termos alterado o cartaz das jornadas, quero que fique claro que cada um é responsável pelas seus actos e pode estar sujeito a coimas caso use outros produtos que não os homologados.

Os objectivos de falar neste produto são dois, contribuir para a promoção deste produto, para que quem sabe alguma empresa o submeter a homologação em Portugal e aproveitar para falar mais uma vez no controlo da varroa.
Este é um novo tratamento que está a ser usado já há dois ou 3 anos na América do Sul, contudo, como é natural a invenção é europeia e foi testada e melhorada lá.


Trata-se de um produto que é basicamente a mistura de ácido oxálico com glicerina em tiras de cartão pedra, dando origem ao Monoxalato.
Para evitar problemas não vou publicar a receita, pois a mesma está publicada em diversos locais na internet, mas sim falar sobre uso e cuidados deste produto.
Como sabemos o ácido oxálico é um produto orgânico usado em apicultura biológica, o que faz deste tratamento adequado para produção biológica. Apesar disso é um ácido e todos os cuidados devem ser tidos ao nível do uso de equipamento de protecção e inalação dos vapores.

CUIDADOS A TER 
(complementar com a receita publicada em vários locais na internet):
– Equipamentos de protecção da pele, vista e respiração;
– Usar panelas de inox em vez de alumínio: o ácido corrói o alumínio e o mesmo pode contaminar o mel;
– Usar um termómetro digital (de pistola), pois a medição da temperatura é mais rápida;
– Após preparação da mistura deve-se arrefecer o mais rapidamente possível a mistura num recipiente hermético para evitar que haja evaporação do produto, perdendo a mistura parte da concentração;
– Colocar as tiras com a mistura fria e fechar o recipiente;
– Usar tiras de cartão pedra fabricadas em Portugal, pois existem cartões no mercado com origem chinesa que podem conter metais pesados;
– Após as tiras estarem embebidas na mistura guardar em sacos ZIP ou seladas em sacos de no máximo 25 tiras, para evitar ter as tiras muito tempo expostas durante a aplicação das mesmas;
– Guardar as tiras em ambiente fresco (frigorifico), pois o calor activa o produto fazendo com que liberte gás, chegando as bolsas a inchar. Pretende-se que esta libertação seja feita no interior da colmeia, daí ser importante levar os tratamento em geleiras para o campo com ambientes quentes;
– Colocar 4 tiras por colmeias com 10 quadros e voltar a colocar mais duas tiras 15 dias depois;


– Este tratamento só deve ser usado se os níveis de varroa forem inferiores a 3%, pois como só mata a varroa forética, tendo uma acção lenta, corremos o risco de não funcionar em colmeias com níveis de varroa superiores, algo que já aconteceu a alguns apicultores e continua a acontecer. MUITA, MAS MUITA ATENÇÃO A ESTE PORMENOR!!!
– Este tratamento não anula o uso de outros tratamentos químicos, pois continua a ser necessário fazer pelo menos dois tratamentos com substâncias activas eficazes como é o caso do amitraz;
– A parte interessante deste produto é o facto de ser biológico, bem tolerado pelas abelhas, não deixa resíduos, tem uma acção prolongada no tempo, mantendo os níveis de varroa baixos, evitando os picos de varroa que tantos problemas nos causam.
– É importantíssimo, tanto com este tratamento como com qualquer outro, sempre que mechemos nas colmeias, devemos mudar a posição das tiras de tratamento, pois aumentamos a taxa de eficácia. As abelhas têm tendência a escavar á volta das tiras no quadro evitando passar e ter contacto com as mesmas. Ao mudarmos a posição das tiras obrigamos a que as abelhas voltem a ter contacto direto, aumentando a eficácia e resultados.


– As tiras têm de ter o comprimento suficiente para cobrirem as duas faces dos quadros, devendo ficar todas as posições e faces com criação com uma tira;
– Deve-se evitar abrir as colmeias nos dias seguintes ao tratamento, para favorecer a acção dos vapores;
– As abelhas vão roendo as tiras, não havendo a necessidade de as tirar;
– Lembrem-se é importantíssimo manter constantemente os níveis de varroa baixos, este é um tratamento que nos permite isso, sem que haja efeitos negativos na colónia e melhor que tudo, não deixa resíduos no mel;

– Esperamos que seja homologado brevemente, para que o possamos usar legalmente!

Apesar deste tratamento funcionar o mesmo já foi melhorado, que segundo Randy Oliver, obtém-se melhores resultados com toalhetes de papel em vez das tiras de cartão pedra. 



Podem consultar o artigo do Rangy Oliver na sua página de Internet:

João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…

– USO DA TÉCNICA DO PONCHO –

Confesso que a técnica do poncho nunca me despertou grande interesse, pois a pouca informação e imagens que encontrei eram europeias onde cobriam as colmeias por completo com um plástico. Sinceramente isso sempre me fez confusão pelos mais variados problemas, especialmente ao nível de humidade.


Nesta viagem que fiz ao Chile, tive oportunidade de ver apicultores profissionais a usar o poncho, e neste caso de uma forma que me agradou bastante.
Sabia que o plástico tem um efeito positivo nas colónias, pois cria um microclima, algo que já pude comprovar diversas vezes quando coloco pacotes de apimel em cima dos quadros dos núcleos de transumância e verifico que chegam a puxar cera dentro do pacote em pleno Inverno, além disso temos várias caixas divididas a meio para fazer dois núcleos, usando uma tela de isolamento por cima dos quadros com o objectivo de fazer pranchetas e estes núcleos ao fim de 21 dias têm em média mais um quadros de criação/abelhas, comprovando um efeito positivo.


Aquilo que verifiquei no Chile é que não colocam o plástico a cobrir por completo as colmeias, fica sempre um espaço nos lados que permite que não se acumule humidade e além do mais que as abelhas subam às alças. Algo que já comprovei este ano, onde após encherem o ninho as abelhas subiram às alças e em alguns casos até a rainha.


No caso das colmeias lusitana e reversível a largura do plástico ideal é de 35 cm e 45 cm de comprimento. O ideal é comprar rolos de plástico resistentes (mangas de plástico da agricultura) já com 35 cm de largura, havendo só a necessidade de cortar em comprimento.



No Chile, apesar de usarem plásticos, preferem as telas de ráfia impermeáveis pois dizem que não acumula humidade.


Caso haja problemas de humidade colocam um pau por cima dos quadros de criação com o objectivo de haver circulação de ar, sendo este o ponto em que devemos ter maior atenção, pois nas zonas muito húmidas o poncho pode ser um problema.


A tela ou plástico poucas vezes é colocada até ao fundo dos quadros, a não ser de Inverno para criar uma verdadeira barreira, mas muitos dos apicultores limitam-se a deixar o plástico a meio do ultimo quadro, pois desta forma permitimos que as abelhas passem para os quadros seguintes, seja a puxar cera ou até mesmo consumir reservas.
O uso do poncho também é uma forma de monitorizarmos o crescimento das colónias, pois se tiverem crescido já passaram o ultimo quadro que tem plástico.


Na fase de início de primavera quando ainda faz frio deixam sempre um quadro com cera em lâmina ou cera já puxada no último quadro para as abelhas irem trabalhando.
Também poderá ser um boa solução de início de primavera quando ainda faz muito frio durante a noite, mas durante o dia as abelhas já trabalham bem, pois o plástico ajuda-as a estarem aconchegadas durante a noite e trabalharem durante o dia.
É uma questão de testarmos este sistema nas nossas colmeias, onde com um ano de experiência já podemos afirmar que todos deveriam experimentar, pois os resultados são muito bons, especialmente em enxames mais fracos, pois mesmo assim sobem aos alimentadores.

VANTAGENS:

– De Inverno o plástico conserva o calor; 
– Menor consumo de reservas durante o Inverno;
– De Verão conserva a humidade; 
– Não deixa desidratar as pastas proteicas; 
– Aperta os enxames fracos, de forma a que os mesmos sobrevivam com menos dificuldades;

Parece que o inimigo principal/desvantagem do “poncho” é mesmo o vento, pois causa algumas chatices quando estamos a trabalhar pois faz voar os plásticos.


João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…

PREPARAÇÃO DE COLMEIAS PARA POLINIZAÇÃO

A polinização é um mercado crescente em Portugal, havendo já diversos apicultores que parte do seu rendimento das abelhas provém deste serviço.
Pode ser uma fonte de rendimento muito interessante e cabe-nos a nós apicultores organizarmo-nos e dirigir correctamente este mercado, para que haja uma boa relação e mutualismo entre os apicultores e os clientes, pois ambos devem retirar proveitos deste serviço, de forma séria e honesta.


Quando digo séria e honesta, para o apicultor é que seja justamente remunerada e para o cliente que a polinização seja bem efetuada, pois não basta colocar lá as abelhas durante a época de floração das culturas que estamos a polinizar.
As colmeias têm que ser devidamente preparadas, criando uma necessidade na procura de pólen, aumentando o sucesso da polinização.
A preparação de colmeias para polinizar é exactamente igual à preparação de colmeias para transumar (ver artigo sobre preparação de colmeias para transumância), contudo, em vez que criação operculada, colocamos criação aberta, mas deixando sempre espaço para que as colónias possam crescer (3 quadros de cera em lâmina ou puxada), permitindo à rainha continuar em postura, mantendo sempre criação aberta.


Todos os apicultores que têm experiência em produção de pólen, já devem ter visto que as colmeias que mais pólen produzem são as que estão a crescer e encher o ninho, onde muitas das vezes aquelas que nos pareciam mais fortes, com o ninho cheio, acabam por produzir menos pólen.
Quanto mais quadros de criação aberta tiverem as colmeias, maior será o número de larvas para alimentar, havendo uma grande necessidade de pólen, daí que quando se preparam colmeias para polinizar devemos criar essa necessidade.
Devemos também evitar produzir mel, pois além de todos os problemas com os agro-tóxicos que podem contaminar o mel, acabamos por deixar bloquear as colmeias. Em vez disso, devemos aproveitar e ir desbloqueando os ninhos, aproveitando os quadros que retiramos para fazer enxames novos. Desta forma, também evitamos os comentários de alguns clientes que como produzimos mel, nem que seja pouco ou nenhum, também acabamos por retirar proveitos, sendo um dos argumentos para nos quererem pagar menos do que o valor justo pelo nosso serviço.

Também devemos levar as colmeias gradualmente (até atingir a densidade por hectare contratualizada), á medida que a floração aumenta, devendo evitar levar as colmeias todas de uma só vez, pois arriscamo-nos a que não haja floração suficiente para as manter, podendo algumas ir “abaixo” pela quebra de postura da rainha.


Da mesma forma devemos ser muito cautelosos em algumas culturas, especialmente as que são feitas em estufas semi abertas ou fechadas, evitando que as mesmas colmeias fiquem lá a floração completa, pois arriscamo-nos a perder essas colmeias.




No caso de estufas fechadas ou semi fechadas que existe muita perca de abelhas, as colmeias deveriam ser substituídas semanalmente ou logo que encontremos sinais de enfraquecimento.

Este é um mercado que aconselho vivamente a que criem uma associação nacional ou regional de forma a conseguir organizá-lo o quanto antes, caso contrário os clientes depressa vão aprender a saber explorar esta falta de organização.

João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…

PREPARAÇÃO DE COLMEIAS PARA TRANSUMÂNCIA

Devemos ter inúmeros apicultores que têm experiência de transumância e os mesmos devem-se recordar de alguns anos de produção que aquilo que produziram mal chegou para pagar as despesas ou então deu prejuízo.
A transumância de colmeias é sempre um risco, pois estamos dependentes de “São Pedro” e caso tenhamos muitas despesas, este risco aumenta uma vez que precisamos de garantir uma produção mínima para fazer face às despesas e obter além disso lucro.


As transumâncias a que me vou referir tratam-se de transumâncias feitas após primavera, onde neste caso temos colónias fortes e vigorosas que acabaram uma época produtiva.


O processo de preparação das colmeias para transumância é muito simples e trata-se em seguir a rigor a Lei de Farrar. Garantir que tenhamos o máximo de abelhas possível nas colmeias.
Se tivermos 100 colmeias para transumar, retiramos a uma parte delas todos os quadros de criação operculada e a outra parte todos os quadros de criação aberta para caixas ventiladas.

De seguida, iremos preparar as colmeias para transumar com um mínimo de 8 quadros de criação operculada, podendo mesmo ser de 10 quadros.


A produção de mel é directamente proporcional à população de abelhas de uma colónia;
Uma colónia grande tem mais abelhas campeiras que uma pequena.
Farrar, segundo os estudos que efectuou, indica que uma colónia com 60.000 abelhas produz 1,54% mais que quatro colónias de 15.000 abelhas cada.


Preparando as colmeias desta forma garantimos que todas as colmeias que transumamos irão produzir, até mesmo em anos maus, pois nestes anos só mesmo as colmeias fortes é que produzem.
Toda esta operação requer tempo e trabalho, especialmente ao nível de encontrar as rainhas, mas com o tempo e experiência passa a ser uma rotina que se faz rapidamente e merece a pena.
Obviamente que este é um trabalho para se fazer com colónias fortes, vigorosas e saudáveis, devendo o apicultor ser experiente e saber identificar facilmente doenças, evitando a sua transmissão.
No Chile, onde se fazem transumância de várias centenas de quilómetros é a técnica mais usada para garantir que produzem mel.


Conheci um apicultor que dizia que era o que produzia mais mel… pois colocava sempre 10 quadros de criação operculada! Era uma regra de ouro para ele e um suicídio se não usa-se esta técnica!
Além desta garantia de produção, iremos transumar menos colmeias, diminuindo os custos e dias de deslocações de colmeias.

João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…
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