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– VIAGEM APÍCOLA AO CHILE –

Como já vem sendo hábito, sempre que possível gostamos de visitar países com interesse apícola de forma enriquecer os nossos conhecimentos e conhecer novas realidades. Desta vez foi ao Chile, um dos países da América do Sul com a apicultura mais desenvolvida, especialmente ao nível do maneio.

Ao contrário de outras viagens que já fizemos, a criação de rainhas ficou em segundo plano, sendo que nesta viagem, havia dois objectivos. O primeiro, tirar um curso avançado de inseminação artificial de rainhas em grande escala e outro aprender um pouco mais sobre maneio profissional de colmeias.
Felizmente ambos foram concretizados, tendo sido uma experiência única.
A realidade apícola do Chile, ao contrário do Norte da América, é mais próxima da realidade que vivemos no nosso país, pois a contenção de custos é uma realidade, sendo praticada uma apicultura mais “sã”, prática e com uma maior proximidade e confidência com as abelhas, algo fundamental quando aplicamos determinadas técnicas de maneio.
Tivemos oportunidade de visitar grandes apicultores e o grande mestre “Vincent Toledo”, que muito nos ensinou e esforçou por transmitir tudo o que sabia.
Os primeiros 6 dias foram passados a tirar um curso intensivo de inseminação artificial, onde, podemos afirmar que estamos preparados para avançar com um programa de selecção genético da nossa abelha ibérica, pois neste momento além de termos resolvido alguns problemas, ganhamos o tacto necessário para inseminar em grande escala.
Para nossa surpresa, fui condecorado como tendo sido o melhor aluno que passou pelo centro apícola e o único a quem foi atribuído o titulo de “Experto em inseminação instrumental de abelhas rainhas”, algo que nos deixou orgulhosos.

A semana seguinte foi passada com o Vincent Toledo e alguns apicultores profissionais, tendo sido bastante importante pelas técnicas de maneio que pude constatar, tendo algumas sido revolucionárias.
O uso de rainhas novas, sendo as mesmas substituídas anualmente é uma realidade, estando fora de questão a velha máxima de que existem rainhas com 2 e 3 anos boas… matam-se todas e coloca-se uma nova, pois é a única garantia que têm de que as colmeias irão subsistir nos anos seguintes, continuando a apresentar um bom vigor e produção estável.
O uso do poncho também é uma técnica muito usada e indispensável de forma a ajudar as colónias a crescer e protegerem-se das variações térmicas, criando alguma estabilidade, especialmente nas colónias mais pequenas.

A preparação de colmeias para produção de mel e polinização também me surpreendeu bastante, pois aqui quando se transuma para produção de mel tem de se ter uma garantia de produção mínima, pois realizar mais de 1000 km e não trazer nada de volta está fora de questão, sendo de todo importante preparar e organizar devidamente as colmeias que irão produzir mel.
Quanto à polinização, tal como a produção de mel, estas são preparadas especialmente para realizarem um serviço de qualidade, indispensável à satisfação do cliente que requer o serviço.
Além de tudo isto, a monitorização sanitária constante que fazem às suas colmeias, especialmente ao nivel da percentagem de infestação de varroa, também foi algo que gostei de presenciar, sendo um dos pontos comuns que têm com a apicultura norte america… a monitorização constante dos níveis de varroa e nosema.
Foi realmente interessante aprender os novos comportamentos que a varroa tem tido e os que deixou de ter, provocando uma aparência de ausência de infestação, quando na verdade ela está lá  e a causar danos na colónia. Como os nossos vizinhos espanhois dizem “Ai que tener ojo”!
Outra das grandes novidades é a confirmação de que o novo tratamento resultante da mistura entre o ácido oxálico e glicerina está a resultar… mas… terão de se respeitar pormenores muito importantes, caso contrário os resultados poderão ser desanimadores.
Muito mais existe para contar e mostrar, mas preferimos deixar algumas fotos e a “sede” e “expectativa” para podermos receber já em Janeiro (dia 14) todos aqueles que queiram vir às primeiras “Jornadas Apícolas” Vale do Rosmaninho, onde iremos abordar esta viagem e transmitir tudo o que lá aprendemos de forma pormenorizada, pois se existe algo que nos caracteriza é a partilha de informação… tudo “Pela Apicultura Portuguesa”. Iremos também ter a presença de uma das grandes referências apícolas que nos irá falar de nutrição de abelhas, um assunto pertinente.

E para terminar um video com a brincadeira da praxe do “Vincent Toledo”!

Esperamos que tenham gostado!

João Tomé
…um apicultor, pela apicultura…

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